quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Elegia à Victória

Victória,
Minha inesquecível Avó!
Não irei à sepultura te ver, pois lá já não estás.
Não quero lá deixar palavras flutuantes
Muito menos flores que murcham.
Rostos tristes que lá verei não contemplam
tua bela e gracejadora memória.
Gestos de cruz e de respeito não aumentariam
o imenso prazer que Deus já tem em te ter!

Contudo, minha gratidão me leva à ousadia:
Quero espalhar teu riso a quem não te ouviu.
Amparar quem não tocou tuas mãos.
Ser cuidadora de desamparados.
Tuas rosas, plantar em terras ainda inférteis.
Tuas palavras, espalhar a surdos que ouvirão.

Meu arquétipo, sim, és tu, minha avó!
Eu, quando pequena, desentendida e inocente,
recebi de ti minha primeira flauta doce
e uma maleta de médica: estetoscópio de plástico, remedinhos
e uma etiqueta "doutora Raquel".
Bem mais tarde, após sua ida,
herdei sua flauta transversa, seu estetoscópio de verdade e
um livro "Onde não há médicos".
O livro que te permitiu salvar vidas
em lugares longe da medicina.

Herdei, além de tudo, tua semente!
Tu plantaste a consagração ao próximo.
A vida em favor dos desfavorecidos.
A tutoria, mesmo sem formação.
És semeadora, luminária.
Honrada sou em poder levar sua Bandeira.
Bandeira que completaste pela Graça do Senhor,
pelo Amor a Ele. Pelo cumprimento de sua graciosa lei:
"Amar ao próximo como a ti mesmo".

Além de tudo, creio que te assustarias tamanha lisonja!
Humildade, essa é a tua extrema excelsitude!
Serias santa, se não foste humana!
Porém, foste humana digna, cumpriste a Vontade Soberana!
Que modelo! Que mestra!
Que influência honrosa e chamado árduo deixaste para mim
e para todos que quiserem a imitar.

És heroína, pois levaste em dedicação o nome do Herói Supremo!
Como é bom ter um exemplo a seguir.
É essa a memória tua que quero honrar e levar,
não no dia de Finados, mas por toda vida.

Estimo-te pela música que deixaste como herança
a minha casa;
pelo amor à poesia e à linguagem;
pela prova de que amor verdadeiro homemXmulher existe;
pela ousadia de ires aonde muitos temeram ir;
por cuidar de frágeis, mesmo tu não sendo tão forte, talvez.
Mas a vontade e a paixão te fortaleceram.

O mundo não era mais digno de tamanha bondade. Deus te quis de volta!

Entretanto, tua contribuição à humanidade
será continuada,
mesmo que seja por mim.
Pois o que Cristo ensinou, Tu me confirmaste.
Mostraste ser possível!

Hei de perpetuar a herança formidável que deixaste!
Cumprindo, assim, o Querer do Altíssimo.

Sempre serás a nossa Victoriosa!



Sua neta e perpetuadora Raquel Murad.

_______

Algumas de suas Poesias (que me influenciam).
Autoria: VICTÓRIA GRECO TEIXEIRA:

Por que chorar?

Por que chorar os mortos que partiram?

Vou contar-te algo, se não sabes

Os entes quando são queridos

Não morrem

Porque vivem para sempre nas saudades.

Elas estão lá


Senhor, anoiteceu...

Abro a janela do meu coração...

E me detenho a olhar o céu.

Busco as estrelas que tanto amo...

Onde estão?

Pois só vejo escuridão...

O céu está vazio...

Esta vacuidade me incomoda...

Assusta-me,

Busco uma estrela, uma somente!

Mas todas estão ausentes!

Senhor, não quero fechar a janela

Ensina-me a esperar por elas

A não ficar com medo

E não me assustar

Faz-me saber que, apesar do céu escuro,

As estrelas...

As estrelas ainda estão lá.



Quero ser fonte

Quero ser fonte, Senhor

Assim ...pequenina...

Escondida em meio à pedra

Onde a água cristalina medra

E vai dessedentando pelo vasto chão.

Quero se fonte, Senhor

Veículo de benção e graça

Que na Rocha, que é Cristo, eu nasça

E me espalhe em meio à multidão.

Quero ser fonte desta Rocha firme

Que tem um nome, sobre todo nome

Fonte que nasça no manancial eterno

Da água viva que dessedenta o homem.



As flores

As flores, como me encantam!

Quisera ser como elas

Que perfumam e encantam

Os dias de primavera.

Porém, como não sou flor

Mas um simples ser humano

Vou com o perfume do amor

O seu perfume imitando.



MULHER RESPLANDESCENTE

Mulher, na fragilidade em que tu és feita

repousa a força que um vulcão encerra

só é preciso arrebentar as pedras

e lançar-se ardente por toda a terra.


Olha em volta, o mundo te espreita.

Mais que o mundo...

Há um Deus que espera o teu agir!

Por que deixar adormecida tanta força

se a ordem é resplandecer a luz que há em ti?



Ensina-me Senhor

Ensina-me, Senhor, a andar nos teus caminhos

Mesmo que para isso

Eu tenha que passar por estradas agrestes

Cobertas de espinhos.

Ensina-me, Senhor, a cantar hinos

Que eles sejam tão sonoros, tão divinos

Que calem nos ouvidos de quem me ouvir cantar.

Ensina-me, Senhor, a falar do teu amor

Da tua grandeza, do teu perdão

E todas as vezes que em teu nome eu falar

Possa ganhar para ti um coração.

Ensina-me, Senhor, a perdoar

E se for eu que tenha ofendido

Ensina-me a humilhar-me e a pedir perdão.

Ensina-me, Senhor, a andar sorrindo

Mesmo que eu traga os olhos umidos

E o coração partido.

Ensina-me, Senhor, mostra a este mundo que padece

Que posso todas as coisas, porque Tu me fortaleces.




Em memória à minha amada avó e exemplo de ser humano VICTÓRIA GRECO TEIXEIRA.

Um comentário:

Paulo Costa disse...

Gostei do texto porque demonstrou pela palavra escrita um profundo sentimento positivo.