terça-feira, 9 de abril de 2013

Universo de nós

Desde que os escrevi, senti que eram para a pessoa da minha vida. Não sabia exatamente quem seria. Aliás, eu tinha em mente um personagem, alguém que eu imaginava ser o amor da minha vida. Porém, o tempo passa. As ilusões passam. Não que a realidade seja pior do que a ilusão, mas entendemos, com o tempo, que as situações mudam e nos tornamos pessoas diferentes do que imaginávamos, talvez. Não sendo isso, necessariamente, negativo. Pelo contrário. A aceitação de quem somos nos leva a compreensão de nós mesmos. Com a compreensão vem a felicidade e o planejamento presente, que influenciará no futuro.
Alguém que me ensinou a entender diversidades da ilusão: ela pode ser perfeitamente satisfeita mesmo com alguns aspectos diferentes dos inicialmente desejados. Ao longo da vida, vemos que o que vale é o sentimento de amor e lealdade, de compromisso, comprometimento sincero e o caminhar juntos. E essa caminhada, como parte primordial da satisfação da ilusão, deve ser entendida, minuciada e exaltada, e que todos os esforços do relacionamento se estendam a fazer dela plena. Para isso, alguns de meus moldes anteriores foram, talvez, banidos, e substituídos, pela disposição em fazer da nossa caminhada melhor.



Universo de nós

O soprar do vento balança
a chama que há em mim
A inconstância de um coqueiro
reflete as incertezas
de um dia serem meus
os mesmos raios que, uma vez,
foram a luz de teu dia.
Nuvens cheias, garoa.
sol, verde sol
Inconstância constante:
Vejo-me em ti!
Águas translúcidas
clareiam a certeza
da quimera mais real
ser contigo.
Cascatas tuas
Meu céu azul
Consagrados
a serem harmonia
assim como são.
Tu e eu
Terra e rio
sempre estarão
à margem um do outro.

Verde Natural
cobre as pedras
Amor sem igual,
as incertezas.
 
O dia chegou
Andorinha voou
a lugares propícios
beija-flor se arriscou
Na rosa branca deliciou
seus mais amados resquícios
Diversidade zoológica
flexíveis compreensões
Passam as fases
o que será, o que ficará?
Mudas crescem, mudam.
Nascem flores, amadurecem.
Surgem frutos...
Folhas caem, secam
amareladas, são pisadas...
Mas novas já nascem em seu lugar.
Passamos, crescemos
Eu mais, outros talvez menos
Em qual etapa nos encaixaremos?
Tu és os frutos, e eu ainda as flores?
Ou somos nós as folhas secas que partirão
e darão início a uma nova era
Juntos!

Sol, Terra, Lua
Amor, tu, eu
Não há um sem outro
não há outro sem um
Atração nos mantém unidos
e em conjunto funcionamos.

A imagem das estrelas
toca o céu escuro
Mesmo sem nunca,
pessoalmente,
ter um encontrado o outro.
Mas o consolo
é a simples certeza
de nossa harmonia
ser perfeição!

Universo infinito
laços são assim
começo inseguro
amor até o fim.
Amanheceu,
dura o dia e acontece.
O sol se vai,
doce ocaso:
Esperança de nossa proximidade.
Noite cai,
Lua traz os reflexos no mar:
Tu e eu, distantes, a nos encontrar.
Aurora outra vez:
Estou eu em ti,
Estás tu aqui.
Imensidão perfeita,
Inexorabilidade!
Sintonia divina
Da eternidade!

Raquel Murad


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Irmão

Mais que irmão
Meu grande amigo
Meu companheiro de caminhada
de lutas
de alegrias.
Meu exemplo de vida
de homem
de cristão.
Ele me deu grandes presentes:
a amizade
o amor fraterno
uma cunhada-irmã
e um sobrinho (universalmente lindo).
Digo hoje, no seu dia,
e com lágrimas nos olhos,
que Deus me agraciou
ao me dar você de irmão.
Tudo o que eu conquistei,
sou e ainda serei
Não seria possível sem a sua
inigualável presença!
Por isso, PARABÉNS!
Pelo ser humano que és.
E por tudo que é pra mim.
Pelo seu dia, pela sua nova etapa
de ano, de pai.
Obrigada por cada segundo
depositado ao meu lado
nesses nossos 20 anos e meio
de convivência!
Sempre estamos juntos
em tudo
pra tudo!
Amo você
Com amor inexplicável!

Ao meu irmão Samuel Murad

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A 2013

Bem-vindo à contagem dos meus dias, 2013 !
Lindo no número e na esperança.
Fique à vontade para se mostrar capaz
De trazer vida em vida
De sossegar turbilhões
De aconchegar a espera
De brindar surpresas!

Renda-se ao fervor da caminhada
De quem trilha por seus dias
E se desdobra na infinda luta!

E seja ímpar
No número
E na singularidade
Seja único!

Divirta-nos!
Console-nos!
Aquiete e agite!
Resplandesça!

Graça divina seja sua profissão
Amor e paz, seu lazer!

Bem- vindo! Bem-vindo, 2013 !!!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012 : Ano Agraciado

Este ano, que me trouxe muitas e diversificadas emoções, agora se vai para a entrada de uma nova contagem do tempo. No início, eu era, sim, mais inocente, imatura e jovem. Esse simples 1 ano, parecendo pouco, fez muito por mim! Tudo o que me aconteceu - os erros que cometi, as decepções, as constatações, as vitórias e as extremas alegrias - fizeram-me crescer e perceber o que realmente tem relevância! 

  Percebi que as pessoas, mesmo parecendo más, merecem compreensão (primeiramente Cristo nos compreendeu). Experimentei que as minhas escolhas, pensadas ou emotivas, têm consequências, basta a nós refazer o caminho e não mais trilhá-lo. Sofri, mas entendi o sentido desse sofrer; não tive paciência da espera, e ela me esmagou, porém entendi que a paz com Deus e consigo mesma refrigera os sentidos.

  Também, obtive o imenso prazer e extrema felicidade de imaginar que um ser, com um pouco do meu sangue, está em formação em um ventre, e nascerá para alegria da família!

  Pela Graça, somente por ela, alcancei uma parte de meu sonho de ser médica. Fui recompensada, sim, pelo esforço dos anos, mas reconheço que sem Ele, nada do que fiz eu poderia ter feito.  Em meio a esse mundo de competições, de notas que provem quem é melhor que um e outro, reconheci a irrelevância desses valores.
 Para mim, importa ser o que estou destinada a ser, e por Ele sou. Abençoar, fazer um pingo de diferença no mundo: isso é a essência! Passo esse ano realizada pela constatação de que Deus cuida de meus caminhos e é dono do meu destino. A vontade dEle prevalecerá!

  Enfim, cresci, renasci. Foi um ano crucial para minha formação como pessoa, como atuante no mundo, como agraciada! Só posso agradecer por tudo que obtive e pelo que ainda virá.

A cada segundo Deus renova seu contrato de amor em minha existência, para que, POR ELE, eu faça o que devo fazer, eu viva o que um cristão deve viver!
Cristo, minha família, amigos meus, realizações, vida, atos por amor: essa é a VIDA que apreendi em 2012 e quero levar até sempre!

Agraciado ano!

Sentido Natalino

 O real sentido natalino, e do Reino, está mais na simplicidade que nos palácios; mais na escassez suprida que na abundância; mais nas Marias que nos atuais nomeados apóstolos; mais no abraço apertado que nas vãs palavras robustas !  

Desejo que a simplicidade e o Amor incondicional, que Jesus nos ensinou, esteja todo o dia no coração de todos. 

 É Natal! Jesus veio, tudo ficará bem!
 Felizes dias de Natal ! Feliz paz do Reino! 


RaquelMurad

sábado, 22 de dezembro de 2012

"Comissão da Verdade: que verdade alcançar?"

Nacionalismo às avessas

  A Comissão da verdade surge para apresentar aos cidadãos o passado brasileiro, apurando os crimes cometidos na época do Regime Militar. Porém, a busca não deve ser unidirecional. Aspectos morais da realidade nacional brasileira necessitam de aparição, vislumbrando as manipulações passadas.
  O período ditatorial foi marcado por grande violência e medo. Em nome da vontade do governante, muitos eram torturados e mortos. Denúncias e perseguições baniram a liberdade e fizeram os cidadãos vítimas, não só físicas, mas intelectuais, já que a verdade fora encoberta.
  Tal prejuízo moral tem como base a alienação e manipulação popular pelos ditadores. Isso é comum em tais regimes, como no Totalitarismo da Europa, em que se pregou o Nacionalismo como justificativa à elevação no poder e fez das torturas argumentos para novos adeptos, buscando "o bem" para o país.
  No Brasil, da mesma forma, a suposta autoridade "perfeita" dos militares, aclamando benefício à nação, criou uma falsa realidade aos brasileiros. O que deveria ser motivo de glória coletiva tornou-se em supérfluas dominações de caráter acumulativo de poder único. Essa ação desvinculou a democracia e a fez esmorecer, em favor de apenas um.
  Por essa razão, a Comissão da Verdade deve priorizar a explicação sobre o que de fato foi a Ditadura e os males conceituais por ela cometidos. Para que, assim, o reviver do passado seja útil à compreensão dos acontecimentos e à prevenção futura. A noção de Nacionalidade deve ser expandida como ação que prima o coletivo. É essa a verdade que se espera!

RaquelMurad

Obs: texto produzido na redação da Unifesp 2013

sábado, 27 de outubro de 2012

Somente na Inconstância

  Desde o nascer até a morte, colocando-se o viver nesse intervalo, o ser é paradoxal. A humanidade reage em busca de suas certezas à medida em que se despede, aos poucos, de sua jornada terrestre.

  Gregório de Matos, poeta barroco, questiona o universo em um de seus poemas, pois se o sol nasce, por que não dura? Se a vida surge, por que desfalece a cada instante e se acaba por fim? O mundo, em si, vive das variações que o acometem, trazendo dúvidas de sobrevivência: hora da morte, insatisfações pessoais e o não-cumprimento de vontades estáveis ou passageiras.

  Dessa maneira, a nova modernidade em que se está atua acelerando categoricamente tais manipulações dos sentidos. Ela oferece infinitas possibilidades para que o homem busque sua verdade e solidifique seu amanhã. Bens de consumo, variedades profissionais, posição e atuação social, relacionamentos, ideais diversos, tecnologia, inovação, enfim, são parte das opções modernas agindo, a princípio, em favor da humanidade.

  Entretanto, o "muito" leva ao descompasso: "Nasço amanhã. Movo-me onde há espaço: - meu tempo é quando.", disse Vinícius de Moraes, ou seja, a vida anda na direção do que surge à porta. Isso causa insegurança, não se sabe se o lugar onde está suprirá a vontade plena de satisfação. Há tantas outras possibilidades...

  Cria-se, então, a dificuldade do domínio sobre o futuro, por causa dos prazeres momentâneos a que se submetem os seres. A busca passa a ser volúvel e a objetivação, dissolvida. Não existe uma verdade confiável, a não ser aquela que motivou a "caça" às certezas: o paradoxo existência x morte. Gregório, ao final, afirma "a certeza somente na inconstância".

Raquel Murad