segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pátria


Meu país do tupi
Da tropicalidade Atlântica
E do guarani

Pelos verdes ares de sua imensidão Amazônica

Sinto a leveza dos céus
Mergulho na profundeza tônica
da pele morena
Índios cor da terra
Terra de suas mazelas
Trocadas pela inocência

E pela indecência

de colonos fúteis

Atraídos por interesses inúteis

Exploração, fartura ibérica

Imposição, medo colonial

Onde está meu pau-brasil,

Fruto do ventre dessa pátria?
Levado foi pela conquista brutal

Desmantelamento!

Somos agora faces turvas desse passado
Que não pode ser mudado
Mas sim reinventado
Amando essa linda pátria
Valorizando a terra natal
Interviremos na estrutura pobre

Contemplaremos o belo
transformado pelo amor
de nossos corações brasileiros!


Verde, campo, fruto, vida, folha!

Amarelo, flor, sol, pássaro, canto!
Azul, céu e mar, estrela, imensidão!

Cores vivas, juntas sorriem

Despertam a manhã
E a Luz do Luar

Perto estão os que estão longe
Pois a pátria tem sempre a raiz de sua canção!

Raquel Murad

em clamor pela valorização do Brasil!

sábado, 23 de outubro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ABUNDÂNCIA ÍNFIMA/ MISÉRIA FARTA

Entre palácios, joias, luxúrias e vaidades, o rei Abastado governava um povoado a oeste de uma ilha. Um povo rico, esperto, ganancioso e perspicaz era seu súdito. Naquele lugar, a terra era roxa e suava frio. Já do outro lado da ilha, a leste, havia um reinadinho humilde e atrofiado, comandado pela rainha Escassez. Povo pobre, ingênuo, porém sóbrio. Lá a terra era deserta, mas aquecida pelos corações.

O rei Abastado, exausto pela monotonia de seus dias, iniciou um plano de domínio sobre a ilha por inteiro. Para isso, bastava conquistar o povoado do leste, o que, para ele, dificuldades não haveria: derrubar os fracos e pobres é como empurrar alguém à beira de um abismo. Era o que pensava.

Mal o dia apareceu, o rei enviou um emissário para avisar a rainha sobre a total dominação que programava, partindo, a seguir, exageradamente para o combate. Desacreditada, porém resoluta, Escassez recebeu o ataque, mas não revidou. Estranhamente, Abastado não conseguiu dominar o povoado vizinho. Furioso, ordenou que seu exército invadisse novamente o local. Mais uma vez, não teve sucesso.

O rei e seus súditos tentaram descobrir o porquê de não conseguirem dominar um povo tão fraco e frágil, ainda mais que não havia qualquer contra-ataque. O leste recebia ofensas calado, era
inundado por armas. Mas não revidava. E sem revanche não há luta, sem luta não há guerra, sem guerra não há dominação.

Rainha Escassez era serena, mas tinha estratégia. Era miserável, mas tinha riqueza de conceitos. Ela sabia que ignorar a maldade e não se vingar é como brasa na cabeça dos malfeitores. Foi o que aconteceu. A cabeça do povoado oeste queimava sem entender tamanha benignidade da rainha. Comentavam uns com os outros a audácia e sabedoria dela, apesar de ser limitada em sua pobreza.

Ao final, todos concordaram que a rainha Escassez deveria governar toda a ilha. Valorizaram sua forma eloquente de tratar dos valores humanos, sem precisar de joias, luxúrias, palácios ou quaisquer dessas futilidades.

Escassez sabia que nunca nada lhe havia faltado. Já Abastado, deposto pelos próprios súditos, reconheceu a supremacia da abundância de caráter. Nunca a riqueza lhe foi tão miserável.


Raquel Murad


Texto publicado no livro "Elas Escrevem", Editora Andross- edição 2010.

domingo, 1 de agosto de 2010

SENTIDOS

Afaga-se a emoção
quando, finalmente, entre pedras afins
o medo se dissipa
a flor renasce
o dia transpõe o que fora deixado
Suspende-se a rima
A Luz surpreendeu até a poesia
Suspiros, sentidos"brand new"
Escuridão outrora à flor da pele
Agora raios luminosos à pele da flor
Depressões, vales
Montanhas, cordilheiras
Movimenta-se ao tom da aspiração
Segue, luta para aliviar a emoção
Abster-se, comover-se
Aprender, ensinar
E assim levar os sentidos
Ao mais alto lugar
Mesmo que em declínio, às vezes, sucumbir
Mas sempre constante, firme
Rochedo
Até a areia não mais ser movediça
E a terra dos pés sacudir
Chegando ao inabalável modo de ser
Amor
Vida
com Deus!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sete vidas / Seven Pounds


Dias atrás, eu assisti a um filme impressionante. Sem exageros, um dos melhores que já vi. Isso porque ele me fez pensar, incentivou-me ideias, fez-me argumentar nossas atitudes, nossas ignorâncias. Filme assim é que eu gosto! Contarei sucintamente a história, para entendermos as argumentações!

O Filme é "Sete Vidas" ("Seven Pounds", no original), um drama estrelado por Will Smith. Ele representa um homem com uma vida normal, noivo de uma garota. Mas, enquanto dirigia, ele resolveu ler mensagens do trabalho no celular. Causando, assim, um acidente terrível em que morrem 7 pessoas, inclusive a sua noiva. Ele, vivo, cai em depressão e resolve salvar outras sete vidas no lugar dessas que morreram por sua causa. Começa a aparecer na vida das pessoas, e mudá-las, como um anjo. Doa fígado para uma, ajuda financeiramente outra. Até que encontra uma mulher com sérios problemas no coração, à beira da morte, e eles se apaixonam. Ele passa a cuidar dela como nunca cuidou de outra. Mostra realmente, o que é o amor pelas pessoas, o cuidar que não se preocupa consigo mesmo. Porém, seu sangua é raro e não há muitas probabilidades dela se salvar. Ele, então, resolver doar sua própria vida em favor das pessoas. Ele se suicida e doa seu coração a ela, e seus olhos a um cego. Um herói.

Emocionante, não?


Mas... até quando será necessário matarmos pessoas acidentalmente, para assim nos oferecermos como sacrifício a elas? Será que o mesmo egocentrismo que fez o personagem do filme bater o carro, nos atingirá sempre? Pense. Não é preciso sacrificar sua vida até a morte, como ele o fez. Mas pequenos gestos, em amor, já nos tira dessa roda egocêntrica. Uma ligação a uma amigo necessitado, um abraço em uma pessoa, mesmo que não tão amiga, e o mais importante e difícil: amar aqueles que o odeiam, que lhe fizeram mal. No filme, ele ajuda apenas as pessoas que ele pensa que merecem, que são boas. Lembre-se, Cristo amou e ajudou a quem não merece, graça imerecida! Pense, então, antes de julgar, de odiar. Se o personagem tivesse não só ajudado a essas pessoas boas, mas mostrado um pouco de amor também a quem não merece, certamente teria constrangido os "maus", e talvez tranformá-los.

Sempre pensamos "essa sociedade está a cada dia pior", "a sociedade não tem mais jeito"... Porém, quem é a sociedade? São as pessoas. VOCÊ é a sociedade. Não sei se pode mudá-la, mas pode fazê-la um pouco diferente com seu amor. Cuide das pessoas, as que estão à sua volta, e também as que você pensa ser inalcansáveis. Olhe em volta. VEJA A TODOS. Não só ver, mas olhar. Olhar as situações com amor, com intuito de melhorá-las. Às vezes não acreditamos em nós: como só eu posso mudar tudo, sendo que a maioria não pensa nas pessoas, sendo que ninguém pensa em mim, em nós, ao governar um lugar. Eu lhes digo que o mundo tem jeito sim, se pelo menos algumas pessoas atenderem ao chamado. Aí o mundo já não será igual. Sem você, tenha certeza, o mundo não seria o mesmo, estaria faltando uma pessoa.


Pense em sete pessoas, inicialmente. Conhecidas ou não. Comece orando por elas. Depois tente olhá-las, no sentido da necessitade. E ajude-as, mesmo que só com palavras, com abraços, com afetos. E mais importante: inclua aquela pessoa que te persegue, ou aquela a quem você não suporta. Faça algo que a surpreenda, nem que seja só mudar seu olhar perante ela. A vida lhe será mais leve.



Ame aos outros.

Cristo te amou.
Sem merecer.
Escolha a singeleza.
Despreze o orgulho. Egoísmo.
Ame. Aprenda.
Tente.

Que a Graça daquele O qual sempre nos VÊ, nos ampara, esteja SEMPRE contigo!

Raquel Murad

terça-feira, 20 de julho de 2010

Quando a esperança desfalece...

Quando a esperança desfalece,
Minh'alma clama pela paz.
A escuridão do mundo
Parece não ter jeito.
Vejo-me pequena,
sem possibilidade de atender
ao chamado da Terra,
ao clamor da natureza,
à miséria, à destruição, à decadência
de povos, nações, pessoas
necessitadas de uma gota mínima
não só de água, mas de AMOR.
O que haverá de acontecer?
Muitos necessitam, poucos ajudam.
Desigualdade, avareza.
Raros são os puros de coração.
A essa hora, minha esperança desfaleceu.
Minha mente vai à loucura,
pois mesmo fazendo o que posso para suprir
a falta de amor que no mundo há,
não parece, ao todo, ajudar.
Insuficiente pareço ser.
Contudo, a esperança não pode morrer.
Olhei ao alto, ao fundo no céu
Disse: Senhor, eu quero a todos ver.
Ver a fragilidade e supri-la.
Ver a miséria e matá-la.
Ver destruição e reconstruir.
Ver a morte e revivê-la.
Ver o caos e magnificá-lo.
Mas pequena, frágil, pobre, miserável sou.
Nada posso fazer sem Teu amor.
Ao que ele me respondeu:
Filha minha Tu és,
minha graça te dou.
O mundo em minhas mãos está,
teu clamor e de muitos eu ouvi.
Confie em mim, e o mundo abalado
não há de se destruir
a quem amar sem frieza.

EU SOU, Eu SEMPRE estou.
Estou no coração abatido,
para quebrantá-lo.
Estou na morte, para revivê-la.
Estou no caos, para glorificá-lo.
Só em MIM, o desastre pode ser contrução.
A mentira pode ser rendição.
E o desamor, via de arrependimento.
Não temas, NUNCA.
Vejo a ti e a todos que clamam,
a todos que ouviram meu chamado
e querem mudar o mundo,
de acordo com o que eu lhes ensinei.
Continue, persevere.
Mesmo assim, pequena.
Não esqueça, Eu sou contigo.
Não temas o porvir.
EU SOU a Luz da próxima manhã.
EU SOU!
....Sim, Senhor, TU ÉS!

Raquel Murad

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Interesse Bucólico


Nessa sociedade populosa, o verde dos campos e das árvores parecem desaparecer a cada instante. Quanto mais pessoas nascem, maior é o desmatamento. O valor das plantas parece não mais existir, o que é preocupante para o destino campestre.

Antigamente, a grande quantidade de homens era benéfica para a mão-de-obra no cultivo rural. Hoje, grande população é sinal de escassez bucólica. Isso porque os focos são outros, os interesses não são mais a favor da sociedade e do ambiente (isso se algum dia já o foram totalmente), e sim presam o bem-estar de quem detém o poder. E a cada dia isso se torna mais sobressalente.

Prova disso, na vida urbana, é a construção descontrolada, e muitas vezes desnecessárias, de prédios, empresas e comércios, sem o consentimento ambiental. As consequências não são levadas em conta, para eles o que importa é tão somente o lucro atual. Na vida rural, o mesmo ocorre quando se destinam terras para o plantio de determinado produto econômico, e a vegetação local fica comprometida. Em ambas situações, a paisagem verde é dependente da ação dos homens.

O mundo é movido ao poder, à transação de bens e aos interesses interregionais. Acabar com o progresso da economia para chegar à total preservação não é uma saída viável. Portanto, o equilíbrio deve ser mantido. A cada construção, tem de haver reflorestação. A cada ação destrutiva, uma nova vida há de ser regada. Só assim o futuro não surgirá sem o verde vital, e pode sim haver esperança.

Raquel Murad