quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Leitura do porvir


Será que sei? Será que amei?
Li os versos da solidão
Destaquei deles uma razão
Para, enfim, ser o que serei


Será que será? Não há o que manejar.
Li todas as letras do caminho onde fui
Até me perder na estrada que me exclui
Retorno, abismo, não havia como cavalgar.


Será assim ou o que será de mim?
Li no vento, li no olhar da brisa
Até senti-los me tanger assim.


Serei o que será? Ou será o que serei?
Li a palavra do meu ser, sempre lisa
Encontrei o que o poema me dera e o que esperei.

Raquel Murad
(soneto)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Inventar-se


Singularidade é conotar as cores da vida
Fazer do azul solar verde mar

Buscar nas asas da noite a brisa da manhã
Reerguer os olhos do abismo ao infinito

E, se precisar, mais uma vez

Fitá-los ao caos,

Talvez.

Pois no caos há a vontade

de olhar para cima por

Maturidade

Há a certeza de que subindo
O céu será branco

A Verdade é sempre

Aquilo que podemos ver

Com o coração.

Imbutidos no saber,
Resgatamos da emoção

A aurora divina.
Conceitos confundem,

Preceitos aprisionam.
Pensamento, silêncio interno

Libertam
Abrem a janela da alma

Clareiam a noite.

Quem Denota, se prende!
Quem Conota, se rende!

Abrir a sensação

Render-se ao calor

do Sol que alegra

Ou do Sol que esfria.

Viver é Imaginação

Sofrer ou não

é fruto dos pensamentos.

Livrar-se da notoriedade

e fazer dos conceitos

A base da sua invenção.
Reciclar o bruto

e ventilar o acaso
Com as asas do coração!

Raquel Murad

domingo, 26 de dezembro de 2010

A VERDADE! *Votos de Natal e para 2011*


A VERDADE!

Cristo veio ao mundo, como homem, demonstrar o que de fato é ser puro e singelo.
Por isso, nessa época de final de ano e Natal, todos ficamos com vontade, e por que não dizer “obrigação”, de sermos retos e justos. Acontece que, passando-se as frases bonitas e as luzes piscantes, voltamos à frivolidade, intolerância e desprazer de servir aos outros. A falsidade leviana, característica implacável do ser humano, se prende novamente a nossas convivências. Apenas a graça e a bondade de Deus, dada a nós por Jesus Cristo, farão de nós pessoas melhores. Meu desejo é que todos os dias sejam dias da misericórdia e da VERDADE de Cristo em nós. Somente ela, a VERDADE, poderá arrancar de nós qualquer proximidade com más índoles. Posses, posições e cargos elevados, dinheiro, prazer, reconhecimento...nada disso reflete a agradável e sincera VERDADE DO SALVADOR!

Que Cristo nos SALVE da frivolidade humana, nos libertando pela Sua VERDADE e AMOR! Em 2011 e sempre!

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará!” João 8:32

Raquel Murad

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ego em Jogo


O saber conviver se tornou a marca de libertação para essa humanidade, que busca apenas o próprio privilégio. Praticar a intolerância é natural do ser humano, instigado pela ação cultural. E muitos são os modos pelos quais demonstramos nossa limitação comportamental, em se tratando de respeito ao próximo.

A diferença religiosa contribui para um descontrole na convivência. Muitos matam, julgam e ofendem praticantes de uma fé distinta por pura pré-definição de caráter. Porém, há pouco, foi veiculada uma propaganda da Atea- Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos- que condena a prática da intolerância. Nela explicitava-se a figura de Hitler e de Charles Chaplin, sendo o primeiro crente em Deus e o segundo ateu. A seguir, vinha a frase “Religião não define caráter”. Compreendendo-se os feitos desses homens, não há razão para menosprezar alguém por sua crença.

Não é somente no âmbito da fé, de times esportivos, da política ou da cultura que a tolerância é escassa. Dentro de nossas próprias casas temos familiares, com mesmos valores, e que muitas vezes são vítimas de nossa frivolidade. O respeito começa pela educação e pelo modo como tratamos os mais próximos. Se somos incapazes de renunciar nosso ego, em detrimento da família, como saberemos conviver com aas diferenças externas? Os direitos humanos têm de ser ensinados e praticados nos lares.

A aniquilação do egoísmo humano está na prática da democracia. Não somente na política, mas principalmente na comportamental. Saber exercer a “coisa de todos” é negar privilégios e perceber que, humanamente, somos iguais. Talvez, sim, nenhum de nós consiga escapar plenamente da intolerância. Porém, cultivar essa ideia não fortalecerá a tentativa de reconstituição do respeito mútuo.

Raquel Murad

(Minha redação no vestibular da Unifesp 2011, cujo tema era “A Intolerância em xeque")

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CAVALHEIRISMO?



Meu comentário para o texto "Homens devem ganhar mais que as mulheres" do blog http://www.toquesparamulheres.com :

Há o lado lógico e o sentimental da coisa. Analiticamente, está certo que, se o homem ganhar mais, ele deve pagar pela mulher. Porém, isso viraria um mero dever, um cumprimento de uma norma pré-estabelecida, que sugere a impossibilidade feminina (de antigamente). O cavalheirismo “moderno”, penso eu, é um gesto nobre, de cuidado e ternura para com a moça. Partimos aí para o sentimentalismo. E isso não significa que ele deva sempre pagar a conta, pois o ‘direito igual’ não é só em relação à valorização feminina, mas também inclui o valor masculino (só para lembrar). Por isso, a mulher também deve pagar a conta, como um gesto nobre, de cuidado e ternura para com o homem. Aliás, que belas seriam as relações se essa teoria prática de dinheiro se aplicasse no cotidiano, fazendo do casal um poço de tolerância e aceitação. É, cavalheirismo implica fragilidade feminina. Somos nós assim? Todo ser humano é frágil ou forte, dependendo da circunstância. Por isso, somos meramente IGUAIS, estamos sujeitos a passar por algo na mesma proporção. Claro que há diferenças entre os sexos, mas estas se anulam e se guardam na medida em que estamos dispostos a tolerar e aceitar um ao outro. É isso possível?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Aflição "Consumidora"


Sou apenas uma estudante de 18 anos que tenta entender onde estamos e aonde viemos e vamos parar. Sempre aprendi sobre desperdícios, preservação da natureza e o tal consumo "sustentável". Mas não vejo compatibilidade com os ensinos e a vida real. Aqui, fora das quatro paredes das escolas, a sociedade parece vencer a teoria do sustento. Ela nos impõe tantas vaidades do consumismo, que mal percebemos que somos persuadidos e afastados da dita sustentabilidade.
Os materiais didáticos estão cada dia mais cheios de sinalizações e exercícios que envolvem essa questão ambiental. Hoje mesmo fiz um de química que pedia para calcular o rendimento da reutilização do Mercúrio de lâmpadas. O Resultado: apenas 38% é reutilizado, e os 62% restantes são jogados em lixão a céu aberto. O que é uma calamidade, sabendo que o Mercúrio é altamente tóxico e prejudicial à saúde. Isso reflete que não há esforços inteiramente plenos para sanar esse problema. As potências mundiais nunca chegam a um acordo sobre as propostas ambientais. O Protocolo de Kioto durará somente até 2012, e não se sabe ainda o que irá substituí-lo. Ou seja, as prioridades não estão sendo as referentes à sustentabilidade. Como, então, fazermos de nossa vivência cotidiana compatível com a melhoria e preservação do Universo? Fazer nossa parte, sim, é nosso dever, mas temos também o direito de presenciar nossas autoridades lutando preferencialmente para uma vida que se sustente ambientalmente. É esse meu conflito interno sobre aonde iremos com esse mundo. Como conseguiremos conciliar a sustentabilidade com desenvolvimento, suprimento de alimentos, transportes, qualidade de vida, e até consumismo, se os responsáveis por isso não pretendem se submeter? Por isso, façamos pelo menos a parte que nos cabe; assim tentando responder ao clamor da natureza!

Raquel Murad


"A própria Criação aguarda ansiosa pela manifestação de Sua glória em nós." Romanos 8:19

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pátria


Meu país do tupi
Da tropicalidade Atlântica
E do guarani

Pelos verdes ares de sua imensidão Amazônica

Sinto a leveza dos céus
Mergulho na profundeza tônica
da pele morena
Índios cor da terra
Terra de suas mazelas
Trocadas pela inocência

E pela indecência

de colonos fúteis

Atraídos por interesses inúteis

Exploração, fartura ibérica

Imposição, medo colonial

Onde está meu pau-brasil,

Fruto do ventre dessa pátria?
Levado foi pela conquista brutal

Desmantelamento!

Somos agora faces turvas desse passado
Que não pode ser mudado
Mas sim reinventado
Amando essa linda pátria
Valorizando a terra natal
Interviremos na estrutura pobre

Contemplaremos o belo
transformado pelo amor
de nossos corações brasileiros!


Verde, campo, fruto, vida, folha!

Amarelo, flor, sol, pássaro, canto!
Azul, céu e mar, estrela, imensidão!

Cores vivas, juntas sorriem

Despertam a manhã
E a Luz do Luar

Perto estão os que estão longe
Pois a pátria tem sempre a raiz de sua canção!

Raquel Murad

em clamor pela valorização do Brasil!