segunda-feira, 5 de julho de 2010

Superioridade (Bullying)


O poder é uma palavra que define muito bem o que rege nossa sociedade. O bullying é uma prática escolar cometida por adolescentes que agridem física e moralmente colegas indefesos. Isso mostra como até crianças saem dos limites para mostrar superioridade.

Alunos com aparências diferentes, tímidos e incapazes de se defender são algumas vítimas de comportamentos agressivos. Mas o que realmente leva crianças a cometerem tal atrocidade? Geralmente eles, os bully's, têm a necessidade de que os outros os vejam como sendo os melhores. E, ao praticar o bullying, afirmam a decadência do vitimado em relação a eles. São incapazes de lidar com diferenças e se veem "donos do mundo". Tal pensamento, na maioria das vezes, é proveniente dos pais que não prestam a atenção aos valores dados, e as crianças simplesmente as copiam.

A inveja também é outro motivo que leva a discórdias. Os agressores não admitem quando veem alunos melhores que eles, em relação a notas. No fundo, querem ser como eles, e assim passam a desmoralizá-los, com o fim de relatar superioridade em algum aspecto. Essa violência psíquica é a mais usada, e o preocupante é que muitos não dão a devita atenção a ela, a mais prejudicial em relação a traumas psicológicos futuros.


A principal educação capaz de evitar o
bullying é a vinda da família. Pais devem saber da vida escolar de seus filhos e dar a eles as devidas punições e conselhos. A pior consequência da vida urbana "corrida" é a falta de tempo dedicado à ação das crianças nas escolas. Mas o colégio também deve cumprir sua parte, dando devidas informações aos responsáveis pelo aluno e criando projetos de resistência à violência. Deve também considerar que tais problemas pedem a necessidade de tratamentos com psiquiatras, tanto para o agressor como para a vítima. Só assim traumas bruscos poderão ser evitados ao máximo.

Falar bem e não dizer nada?


Principalmente em se tratando de políticos, vemos o vocablário alteroso em seus discursos. Mas a maioria das pessoas não entendem o que se é dito, aliás, nem mesmo os próprios políticos entendem. Só ficam estupefactos com a beleza das palavras...

E como é possível tal fato acontecer? Como alguém pode montar uma linda frase, com regras gramaticais totalmente impecáveis, mas sem o mínimo sentido? É o famoso ditado "falar bem e não dizer nada". E é explicado pela ciência médica: as partes do cérebro responsáveis por processar a gramática das palavras e por processar o sentido imposto na junção delas são diferentes. Há a "Área de Broca", que organiza a linguagem e a fala de cada idioma, e a "Área de Wernicke", que dá o sentido das informações e suas relações simbólicas.

Portanto, é possível "pensar" só com a Área de Broca, e dar uma estrutura formal à fala, mas não lógica. É o que acontece com a maioria dos políticos. Precisam entender, urgentemente, que suas Áreas de Wernicke também são funcionais...e por que,então, não a usam com mais frequência?


Raquel Murad

domingo, 13 de junho de 2010

Quando abrimos os olhos...

Nascemos, crescemos, tornamo-nos adolescentes, depois jovens, adultos, e assim amadurecemos mais. E não é repentinamente que mudamos de fase. A sociedade impõe regras etárias que determinam essa passagem, porém nem sempre funcionam. Há fatores muito mais relevantes que podem ocasionar uma possível maturidade ou retardá-la.
Desde o primeiro instante em que abrimos os olhos, nossa identidade será pautada naquilo que iremos vivenciar e nos submeter. Os pais são uma das causas mais marcantes desse envolvimento. Como crianças, somos dependentes de tudo e todos. Há aquelas que já querem ser “crescidinhas”, e levam para si uma inteligência até maior do que as “normais”. Isso pode ter como causa o convívio maior com adultos e pouco com crianças.
A adolescência é a fase mais famosa em sua complexidade. É o tempo em que mudamos mais, crescemos demasiadamente, e nos “ligamos” ao mundo de fato. Talvez aqui nossa dependência seja menor, e partimos para uma prévia do que seremos quando “soltos ao léu”. Na juventude, vemos o caminho mais direto para nossa autonomia, crescemos como cidadãos, universitários e até trabalhadores. Fase quase conjunta com a integridade de adulto, então podemos chamá-la de ”independência parcial”.
Porém, principalmente nas classes mais altas, o nível de maturidade e sobriedade é muito menor do que deveria ser de acordo com a faixa etária que nos muda de fase. O adolescente deveria abrir os olhos para o mundo, e se inserir nele. Mas o que acontece é o oposto: ele se fecha em sua própria estufa, em seu estilo inusitado, em sua tolice imatura de relacionamentos. E assim, quando jovem, não sabe se definir nem reagir às pancadas da vida que sobrecairão nele. Torna-se irresponsável, assim como talvez tenham sido seus pais ao criá-lo com tudo nas mãos, sem preocupações de vida, ou seja, é o famoso “mimado”.
O oposto, felizmente, também acontece. É raro. Mas acontece. Quando nas fases de inserção de maturidade, o adolescente realmente abre os olhos para a realidade em que vive. A esse caso, há o domínio cultural, intelectual, e assim, sua identidade é nitidamente pautada por seus conceitos e valores denominados - a ação dos pais é geralmente a essência. Nesse acontecimento de maturidade prodígio, a adolescência talvez nem seja completada, e sim só uma rápida passagem para a juventude semi-autônoma.

Dizem que assim não se aproveita o tempo de libertinagem e despreocupações, mas, na medida em que essa liberdade se torna extrema, o crescimento individual eficaz regride.

Fui privilegiada, e sou muito grata por isso, pois sempre me vi diferente das pessoas à minha volta, de mesma idade ou até mais velhas. Minha base de entendimento global foi pautada precocemente, o que se deve aos pais excelentes que tive, e ao meu imenso amor pela leitura, escrita, teologia, e quaisquer formas de apreço da vida. Talvez tenha perdido alguma parte de despreocupação e aproveitamento da vida ingênua. Mas não troco o que eu me tornei por nenhum outro modo. Hoje, aos recentes 18 anos, ingressando à maioridade, não me vejo aquém dela, nem mesmo antes. Claro que cada momento tem sua característica, e mesmo adultos não podemos deixar que a seriedade extrema nos corroa, mas sim devemos agir na medida certa de cada situação.

Entendemos, então, que a abertura das janelas para o mundo é uma ação que tem de ser valorizada, assim formando pessoas, cidadãos, e uma nação digna. Ao nascer abrimos os olhos físicos, mas que isso não seja o suficiente. Que ao longo da jornada nosso entendimento nos traga conceitos favoráveis a nossa leitura de vida, que proporcionará a visão suprema dos olhos, a janela da alma a ser vivenciada!

domingo, 28 de março de 2010

Poesia minha feita em 2003.

Mundo Louco

Havia um mundo muito louco,
Onde tudo era diferente.
O em cima estava embaixo
E o atrás ficava na frente.
O sujo era limpo
E a água tomava banho.

Era tudo uma confusão,
O verdadeiro era ficção
O amor virava ódio
E o ódio uma ilusão.

Nesse mundo, quem entra não sai mais,
Pois entrou pela porta de trás.
Lá o rato caça o gato
E o gato caça o cão.

O ouro e a prata eram de graça,
E o lixo custava muito caro
Sendo assim tudo era nada
E nada era muito.

Que mundo é esse,
Em que ninguém acredita?
Não é perfeito,
Mas nada deixa de acontecer.
E é assim que alguns aprendem a viver!

Raquel Murad
(eu com 11 anos)

Estrelas Lamentam

Quando a falta te constrangir
apenas olhe para cima e veja a luz do luar
que clareia a noite.
Até nos dias mais escuros,
As estrelas em comunhão
formam a esperança
de a noite se tornar dia
E retornar a alegria.
Meus olhos diziam do amor
Seus olhos te traduziam
Mas agora
Não há mais luz nos olhares
Por isso, olhe nas estrelas
e a luz do amor incidirá em você.
Com toques de lamento, dor e até rancor
Mas reluzirá a esperança do dia seguinte
Não há mais palavras
não há mais ações
O vento levou qualquer sinal de ilusão
Quem dirá o que acontecerá?
Quem dirá pra onde o vento quer nos levar?
Às margens do mar a maré cessou
pois a Lua estagnou no tempo da emoção sofrida
Só o brilho das estrelas fortalecerá a noite deflagrada
Olhe para elas, sim, todas as noites
Elas são como chamas em meio à escuridão
Como brisa em meio às águas
Como ave a voar pelo céu
E Não tema o temporal
A bonança está ao pé da luta
Siga você, não se perca
E às vezes olhe para o céu
Eu estarei entre o brilho das estrelas!

Raquel Murad
VDE

Mais Lirismo...

Incerto

Em nenhum sentido
Por nenhum lado
Na estrada insegura
Não havia direção

Concentrada em minhas próprias ilusões
Entrava em curto
com pensamentos talvez improváveis

Retida em minha inocência
Não sabia o que viria
E se minha consciência
Enfim tranquilizaria
(verso em redondilho maior- rima ABAB)

Mas abri meus sentidos
Desabrochei para a manhã
Resgatei lá do fundo
O que tinha pra você

Complicada situação
Essa se tornou
Mas a mim não amedronta
o não saber dos dias
próximos de minha imaginação

Só vivo cada dia
Tentando aproveitar
Até os minutos que já se foram
Assim detendo no peito
a magia da incerteza!

Raquel Murad
VDEA

Poemas. Um pouco de lirismo!


Perto Inalcansável



Ao te olhar não contenho as palpitações
É como se uma avalanche me levasse ao chão
E por um instante eu esquecesse a reação
De se viver a realidade


Faço-me de importante,
Intocável e inoperante
Para te fazer me ver

Mas por dentro sou derretida
E minh’alma fervilha
Na loucura de imaginar
Um dia te alcançar



Passei o dia
Em festa e cantoria
Esbaldando-me de ansiedade
Por saber que agora, de verdade,
Você saberá minha fragilidade


Porém, o que era excitação
Se tornou em aflição
Os motivos, não entendo
Dúvidas, me corroendo...
Apenas espero
Que o raiar do sol
Traga de volta a luz da esperança
E que a tua lembrança
Me traga bonança
E não rejeição


Que o sereno da manhã
Seja refresco para meu coração
E que o sangue que nele há
Não cesse quando você passar
Me deixando contar seus passos
À medida em que meu coração palpita!


Raquel Murad
VDLB